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Fevereiro 2017

DESPIDO DE MÁSCARAS

Quem gosta de carnaval sabe que as máscaras são essenciais. Quem não gosta, também. Os trajes tornam-nos em algo que não nós mesmos. Isso é divertido, quando é feito por opção, mas, muitas vezes, ao longo da vida, esse processo dá-se sem que tenhamos noção dele. Por isso propomos-lhe um atrevimento. Dispa-se! … de máscaras. 

Aproveite esta época para tirar as máscaras que tem construído para responder às expectativas da sociedade, quer elas exijam que seja uma boa dona de casa, forte e inabalável, exímia na cozinha ou que seja o melhor pai de família e o profissional sem emoções.

Tome atenção a si e veja se estes papéis lhe assentam. Talvez consiga identificar que camadas desta máscara podem cair para que a sua essência fique à vista. 

Perante nós próprios, a nossa essência pode ser uma pedra de mármore em bruto. Há que investir tempo a olhar para ela, à semelhança do que fez Miguel Ângelo ao esculpir David. Foi por ver a essência da pedra que Miguel Ângelo pôde retirar dela as camadas que não lhe pertenciam e revelar, assim, a escultura de David, a personagem mítica que, sem poderes especiais além da sua fé, venceu o gigante Golias.

Sem as camadas extra corre o sério risco de descobrir que entre o pensamento mágico de uma criança e a dura realidade existe uma versão intermédia de nós próprios, à nossa disposição, que é mais leve, saborosa e divertida. Porquê? Porque sem os pesos de desejos que não são nossos caminhamos mais leves. Quando mais leves temos mais agilidade de movimentos, não para suportar pesos desnecessários, mas sim para caminhar o nosso próprio percurso. Esta versão intermédia de que lhe falamos envolve uma grande dose de brincadeira.

Se precisa de explicações científicas para brincar…elas existem e são várias. Deixamos-lhe a que nos parece mais interessante. A da psicanalista e psicóloga Maria Bernadette Biaggi. Segundo Bernadette, a brincadeira tem o cunho da criatividade e é precisamente essa criatividade (que treinamos ao brincar) que nos permite encontrar soluções em momentos de dificuldade. Ela defende que, em estados de sofrimento e dor mental, a tendência do indivíduo é criar apenas uma hipótese e não encontrar assim saída para os desafios do viver. (…) uma vez que as hipóteses abrem a mente para novas possibilidades e desenvolvem a capacidade de adiar e ter esperança em ver novamente as cores do arco-íris, o espírito lúdico é um organizador psíquico.”

 

Quer saber como identificar as camadas que não são suas e encontrar a almejada leveza de criança? Veja o que propomos abaixo:

Tire tempo para fazer o que gosta. É a melhor forma de nos conectarmos com a nossa criança interior, a parte de nós que brinca. Não sabe do que gosta? Experimente várias coisas. Em alguma delas vai sentir alegria e divertimento.

Reproduza esse sentimento. É possível responder às responsabilidades como se de uma brincadeira se tratasse, ou seja, em verdadeira conexão com a sua criança interior. 

Inclua a traquinice no dia-a-dia. Faça uma graça, uma surpresa ou uma brincadeira consigo e com os outros, pelo simples prazer de rir.

De vez em quando, em assuntos de pouco impacto, seja imprudente. Qual é a pior coisa que pode acontecer? Sair mal na fotografia? E depois? Faça humor acerca de si próprio. Tenha histórias para contar.

Divirta-se! Com ou sem os seus trajes habituais, brinque, ria e sorria!

E sem mais delongas …neste carnaval, DESMASCARE-SE, retire as camadas desnecessárias e revele a sua essência. É essa a sua obra de arte.

E sem mais delongas …neste carnaval, DESMASCARE-SE, retire as camadas desnecessárias e revele a sua essência. É essa a sua obra de arte.

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